Ultimamente tenho pensado bastante em vários momentos passados, tipo cenas que vem na nossa cabeça como um flash, sabe ? E cada vez que eu penso em uma, tento me lembrar de anotar aqui, mas acabo esquecendo. A verdade é que eu estou lotado dessas pequenas lembranças. Não que eu tenha uma memória ótima, pelo contrário. Eu quase não lembro oque comi no almoço de 4 dias atrás (quase não, eu realmente não faço idéia), mas essas memórias, essas pequenas cenas ... ficam na minha cabeça, girando e girando ... então eu resolvi que, aos poucos, vou colocando aquelas que aparecerem.
Agora mesmo, quando penso sobre oque falar, várias memórias surgem. Queria falar sobre algo que tenha acontecido quando me mudei aqui pra JP, mas não é disso que estou pensando agora. Na realidade, estou lembrando de algumas coisas que aconteciam quando eu morava em Pernambuco (Afogados). Deve ser por causa da foto que encontrei sábado. Vamos do começo :
Sábado eu estava saindo de casa, atrasado como sempre, pra reunião de crisma. Nós preparamos a dinâmica dos objetos, que consiste em reunir diferentes objetos em cima de uma mesa e pedir para que cada crismando escolha algum e diga porque o escolheu. Eu já fiz essa dinâmica várias vezes, e acho uma das melhores quando se trata de conhecer os novos crismandos. Eu, quando participo, sempre escolho o álbum de fotos (que não por conhecidência, sou eu mesmo quem leva). O álbum representa pra mim aquelas lembranças bonitas das quais eu não quero nunca me livrar, sabe ? Mostra como eu sou apegado aos momentos, pessoas, lugares ... coisas que vivi e que, eventualmente, ficaram registrados numa foto e são/foram importântes para mim.
Bom, enquanto estava procurando o álbum numa das mil caixas entulhadas no meu guarda-roupa, achei esse envelope (aqueles envelopes que eles entregavam as fotos recém reveladas, lembra ?). Então, ao abrir, encontrei umas fotos que eu nem lembrava mais. Uma delas foi tirada no carnaval de 2003, eu e a filha da minha prima (que, como me disse tia Cida, é minha prima segunda). Eu estava bem mais magro (coisa que me fez ver que eu nem sempre fui gordo) e carregava Gaby (minha priminha de quase 1 ano) nos braços. Estava com todas aquelas "coisas" que eu usava quando comecei a pensar em ser padre. Chaveiro do smilinguido saindo do bolso, correntes em cada pulso, uma dizia "deus" e a outra era uma imagem de uma santa, eu acho, e no pescoço uma medalha de são bento, se não me engano. Eu passei um bom tempo olhando para essa foto e lembrando daqueles momentos, daquele carnaval, daqueles dias. Foi na época que eu ainda estava revoltado com João Pessoa e queria voltar para Afogados.
Depois dessa foto, achei outra, mais antiga alguns meses, que era a foto da placa da minha turma na oitava série. Nossa! Eu podia jurar que não tinha mais aquela foto! Olhei bem cada rosto, cada amigo ou conhecido daquela época ... com alguns eu ainda tenho um pequeno contato, com outros, apenas um "oi" quando estou por lá, e outros são meros desconhecidos hoje em dia. Quando mostrei pra Camila, saí apontando oque cada um estava fazendo agora. Era mais ou menos "direito, direito, direito, medicina, direito, enfermagem, direito, engenharia, odonto, fisioterapia, direito, enfermagem, farmácia, direito, educação física, letras, direito ... " E nas mais variadas universidades, principalmente na UFPE, UFPB, UPE, Mauríssio de Nassau e Universidade Católica. Desse dia eu não lembro muito ... agora mesmo só lembro de algumas pessoas chorando, porque era um dos últimos dias de aula. Eu já tinha feito o teste de seleção no GEO, uma semana antes, eu acho, mas não estava triste ainda. Só pensei mesmo na despedida quando estávamos em Salvador, na nossa viagem da turma, que caiu exatamente na semana do meu aniversário. Aí sim eu chorei! Já chorei muito em 21 anos de vida, mas acho que nunca chorei tanto como naquele dia. Desde a saída de Salvador até a chegada de Afogados (umas 12 horas) eu chorei.
Depois, encontrei outras fotos mais atuais. Algumas do GEO, na SAC ou no terceiro ano (com aquele cabelo podre que eu tinha!). Naquela foto sim, tem muitas pessoas com quem ainda falo, e as outras eu apenas não vejo mais, mas se visse, falaria, certamente.
hehehehe
Essa era pra ser uma postagem curtinha, com poucas citações e memórias. Mas eu, quando escrevo, sou praticamente igual a quando falo ... enrolo demais pra chegar num ponto. Enfim, depois eu penso em algumas "memórias" separadas, pra ir contando por aqui. Se eu contar todas juntas, a postagem acaba ficando grande e cansativa demais. ^^
(Quando eu conseguir escanear as fotos, coloco aqui e dou mais detalhes sobre elas. xD)
Mas, pra finalizar, quero deixar a letra de uma música que sempre fica na minha cabela quando eu começo a rememorar fatos passados. É quase que instantãneo ! Quando eu penso em alguma coisa antiga, a música vem junto, como num clip ... e é com ela que eu finalizo essa postagem !
Hasta, amigos ...
(Minha vida - Rita Lee)
Tem lugares que me lembram
Minha vida, por onde andei
As histórias, os caminhos
O destino que eu mudei...
Cenas do meu filme
Em branco e preto
Que o vento levou
E o tempo traz
Entre todos os amores
E amigos
De você me lembro mais...
Tem pessoas que a gente
Não esquece, nem se esquecer
O primeiro namorado
Uma estrela da TV
Personagens do meu livro
De memórias
Que um dia rasguei
Do meu cartaz
Entre todas as novelas
E romances
De você me lembro mais...
Desenhos que a vida vai fazendo
Desbotam alguns, uns ficam iguais
Entre corações que tenho tatuados
De você me lembro mais
De você, não esqueço jamais...
segunda-feira, 27 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
"A menina que roubava livros" - Livro de Abril
Finalmente, um novo comentário de livro. Já faz um bom tempo que comentei sobre algum livro, não é mesmo ? Mas é tudo por causa da onda de preguiça que se apossou de mim depois do vestibular. Não que eu já esteja completamente recuperado, mas aos poucos as coisas vão se direcionando (as coisas comigo só funcionam assim, gradualmente).
Enfim, sobre o livro. Acabei de ler semana passada "A menina que roubava livros" de Markus Zusak. Li quase todo em 2 noites. Na primeira, li umas 20 páginas, achei chato e resolvi continuar depois. Na segunda, estava intediado (sem internet) e resolvi ler até ter sono, daí o noso veio, foi, veio, foi, e eu acabei lendo o livro das 23h até 8h da manhã do dia seguinte.
No começo, realmente não foi fácil. Além do costume de ler que está meio perdido, o livro também não ajuda muito. Eu sou muito crítico com literatura, e a maneira como o autor começa a narrativa é muito ruim! Ele tem uma mania muito tosca de fazer observações diante dos acontecimentos. No decorrer do livro ele vai moderando mais isso, mas nos primeiros capítulos é irritante! Deixe-me dar um exemplo :
Hélder Vinícius de Morais, o autor que aqui vos fala, está escrevendo mais uma postagem para o blog que a tanto não via assustos novos. Qual será o assunto que usarei como tema? Tenho tido uma rotina tranquila, mas isso não acaba com os temas que posso tratar ...
Enfim, sobre o livro. Acabei de ler semana passada "A menina que roubava livros" de Markus Zusak. Li quase todo em 2 noites. Na primeira, li umas 20 páginas, achei chato e resolvi continuar depois. Na segunda, estava intediado (sem internet) e resolvi ler até ter sono, daí o noso veio, foi, veio, foi, e eu acabei lendo o livro das 23h até 8h da manhã do dia seguinte.
No começo, realmente não foi fácil. Além do costume de ler que está meio perdido, o livro também não ajuda muito. Eu sou muito crítico com literatura, e a maneira como o autor começa a narrativa é muito ruim! Ele tem uma mania muito tosca de fazer observações diante dos acontecimentos. No decorrer do livro ele vai moderando mais isso, mas nos primeiros capítulos é irritante! Deixe-me dar um exemplo :
Hélder Vinícius de Morais, o autor que aqui vos fala, está escrevendo mais uma postagem para o blog que a tanto não via assustos novos. Qual será o assunto que usarei como tema? Tenho tido uma rotina tranquila, mas isso não acaba com os temas que posso tratar ...
"Um blog, uma descrição, uma rotina tranquila. Talvez um livro faça parte da nova postagem do jovem autor."
O mais irritante não é a narrativa lenta demais, e sim esses pequenos comentários que te fazem olhar para o céu e perguntar "qual a razão disso ?". Alguém disse pra ele que esse tipo de suspense era engraçado? Que atraia o leitor? Que tornava o mundo mais colorido? Eu mesmo quase desisti de ler só por causa disso! Não só eu, mas uns 3 amigos meus que também costumam ler bastante já desistiram de ler só por causa dessa narrativa sem lógica.
Bom, mas não é por isso que vocês devem deixar de ler o livro. rs
Eu realmente salientei bastante essa parte, mas é pra mostrar que, após esse impacto inicial, tudo fica muito mais fpacil e agradável. São os únicos defeitos desse livro de quase 500 páginas.
A história se passa na alemanha, e é contada pela morte. Isso mesmo, pela imagem mítica da morte, que está sempre pronta para trabalhar, buscando as almas daqueles que estão partindo dessa vida. A morte conta com riquesa de detalhes (ahhh, você nem faz idéia de como são ricos os detalhes! Até a cor da asa do mosquito que voava perto de um dos cavalos com soltados que faziam a seguranda de Hitler) a vida de uma garotinha alemã que está sendo perde o irmão e é levada pela mãe para ser adorada. Não vou dar muitos detalhes de nomes e datas porque estou com preguiça de ir até o livro e procurar, mas quem se interessar, eu posso emprestar o livro. xD
Poderia parecer drama, mas a maneira como a história é contada faz com que tudo seja visto de maneira muito natural. O leitor se acostuma com o ambiente, com as condições de vida, com a pobresa e miséria local e muitas vezes chega a ter pena daqueles alemães. É interessantíssimo pensar dessa maneira porque, eu mesmo nunca tinha realmente refletido sobre o lado "alemão" da guerra. Claro que não existem só anjos nem só demônios, mas eu nunca tinha parado pra pensar daquela forma. Nem todos os alemães eram favoráveis ao holocausto e nem todos os judeus eram santos. Sem contar que, quando ouvimos falar sobre as mortes dolorosas e humilhantes dos judeus naquela época, a primeira coisa que pensamos é "malditos alemães" ou "esses alemães são mesmo muito cruéis", mas dificilmente pensamos nas razões para aquele povo, tão humilhado, acreditar num anão bigodudo que falava cuspindo.
Ah ... eu passaria horas discutindo sobre isso! Durante a leitura eu elaborei mil teses sobre a guerra e os povos humilhados e a culpa dos alemães invejosos e humilhados ... não que eu esteja tenrando remir ninguém, nunca! Só gosto de ver os 2 lados de uma mesma moeda.
Nossa. Que estou muito perdido nas minhas idéias.
É provável que ninguém esteja entendendo onde eu estou querendo chegar ! rs
Bom, finalizando :
O livro é mesmo muito bom. Não sei se foi um momento emo, mas cheguei a chorar com o final. A morte (narradora) trata da morte (fim de tudo) de uma maneira muito doce. Não é aquela coisa arrasadora, nem uma coisa superficial. E como fala da guerra, claro que vai falar de muitas mortes. EU sempre digo (e repito, aliás) que não tenho medo de morrer. Acho que esse medo só se justifica para as pessoas que não aproveitam bem a vida. Eu acho que vivi cada um dos meus 21 anos da melhor maneira possível. Com altos e baixos, claro, mas fiz e disse tudo que achei que deveria fazer e dizer, então, se morresse agora, agorinha mesmo, morreria feliz por ter completado uma etapa, a vida, e estar seguindo para outra, a morte. E alguns personagens também pensavam assim ... isso me tocou bastante.
A bondade, o amor, a paz ... tudo isso se encontra nos lugares que nós, muitas vezes, nem pensamos em procurar. Curioso, não ?
Eu recomendo o livro. Totalmente. ^^
Já comecei a ler o de maio, pra ver se termino em tempo de postar sobre ele ! hehehe
P.s.: Também estou fazendo regime, Lu ! Já perdi 5 kg (muito suados)!!!
Estava pensando em começar a malhar, mas acho que isso vai ter que esperar mais um pouco.
^^
Abraços gigantes !!!
( Ao som de Cássia Eller - Meu mundo ficaria completo )
Bom, mas não é por isso que vocês devem deixar de ler o livro. rs
Eu realmente salientei bastante essa parte, mas é pra mostrar que, após esse impacto inicial, tudo fica muito mais fpacil e agradável. São os únicos defeitos desse livro de quase 500 páginas.
A história se passa na alemanha, e é contada pela morte. Isso mesmo, pela imagem mítica da morte, que está sempre pronta para trabalhar, buscando as almas daqueles que estão partindo dessa vida. A morte conta com riquesa de detalhes (ahhh, você nem faz idéia de como são ricos os detalhes! Até a cor da asa do mosquito que voava perto de um dos cavalos com soltados que faziam a seguranda de Hitler) a vida de uma garotinha alemã que está sendo perde o irmão e é levada pela mãe para ser adorada. Não vou dar muitos detalhes de nomes e datas porque estou com preguiça de ir até o livro e procurar, mas quem se interessar, eu posso emprestar o livro. xD
Poderia parecer drama, mas a maneira como a história é contada faz com que tudo seja visto de maneira muito natural. O leitor se acostuma com o ambiente, com as condições de vida, com a pobresa e miséria local e muitas vezes chega a ter pena daqueles alemães. É interessantíssimo pensar dessa maneira porque, eu mesmo nunca tinha realmente refletido sobre o lado "alemão" da guerra. Claro que não existem só anjos nem só demônios, mas eu nunca tinha parado pra pensar daquela forma. Nem todos os alemães eram favoráveis ao holocausto e nem todos os judeus eram santos. Sem contar que, quando ouvimos falar sobre as mortes dolorosas e humilhantes dos judeus naquela época, a primeira coisa que pensamos é "malditos alemães" ou "esses alemães são mesmo muito cruéis", mas dificilmente pensamos nas razões para aquele povo, tão humilhado, acreditar num anão bigodudo que falava cuspindo.
Ah ... eu passaria horas discutindo sobre isso! Durante a leitura eu elaborei mil teses sobre a guerra e os povos humilhados e a culpa dos alemães invejosos e humilhados ... não que eu esteja tenrando remir ninguém, nunca! Só gosto de ver os 2 lados de uma mesma moeda.
Nossa. Que estou muito perdido nas minhas idéias.
É provável que ninguém esteja entendendo onde eu estou querendo chegar ! rs
Bom, finalizando :
O livro é mesmo muito bom. Não sei se foi um momento emo, mas cheguei a chorar com o final. A morte (narradora) trata da morte (fim de tudo) de uma maneira muito doce. Não é aquela coisa arrasadora, nem uma coisa superficial. E como fala da guerra, claro que vai falar de muitas mortes. EU sempre digo (e repito, aliás) que não tenho medo de morrer. Acho que esse medo só se justifica para as pessoas que não aproveitam bem a vida. Eu acho que vivi cada um dos meus 21 anos da melhor maneira possível. Com altos e baixos, claro, mas fiz e disse tudo que achei que deveria fazer e dizer, então, se morresse agora, agorinha mesmo, morreria feliz por ter completado uma etapa, a vida, e estar seguindo para outra, a morte. E alguns personagens também pensavam assim ... isso me tocou bastante.
A bondade, o amor, a paz ... tudo isso se encontra nos lugares que nós, muitas vezes, nem pensamos em procurar. Curioso, não ?
Eu recomendo o livro. Totalmente. ^^
Já comecei a ler o de maio, pra ver se termino em tempo de postar sobre ele ! hehehe
P.s.: Também estou fazendo regime, Lu ! Já perdi 5 kg (muito suados)!!!
Estava pensando em começar a malhar, mas acho que isso vai ter que esperar mais um pouco.
^^
Abraços gigantes !!!
( Ao som de Cássia Eller - Meu mundo ficaria completo )
sábado, 18 de abril de 2009
Pequeno poema verdadeiro ...
"Não lhe peço nada,
mas se acaso você perguntar
por você não há o que eu não faça."
Em breve aqui, minhas anotações obre o final de "a menina que roubava livros".
(Estou com preguiça de escrever agora). hehehe
Só pra ir adiantando ... eu sou leso e chorei nas últimas páginas ... ¬¬º
mas se acaso você perguntar
por você não há o que eu não faça."
Em breve aqui, minhas anotações obre o final de "a menina que roubava livros".
(Estou com preguiça de escrever agora). hehehe
Só pra ir adiantando ... eu sou leso e chorei nas últimas páginas ... ¬¬º
sábado, 11 de abril de 2009
Durante a chuva ...
Interessante como esse tempo chuvoso nos faz pensar na vida, né mesmo ?
Acho que é comum todos ficarem meio pensativos e sonhadores nos dias de chuva, não é ? É, eu mesmo estou muito pensativo e sonhador neste exato momento.
Enquanto escrevo, aliás, posso ouvir o som das gotas batendo na minha janela ... e é bom ! ^^
Já não estou mais com tanto medo e tão preocupado como antes. Acho até que comecei a acreditar com mais vontade nos pequenos milagres da vida, ou talvez em uma parte deles.
Passei uma semana muito ruim, cheia de medos e problemas, até que resolvi tomar as primeiras decisões que estavam pendentes desde muito tempo. Não adianta tentar dar detalhes de tudo que se passou, mas foram importantes fatos que precisavam ser resolvidos para que eu pudesse me dedicar melhor aos outros aspectos dessa minha nova "fase de vida". Agora, tudo ainda é difícil, mas parece um difícil mais suportável. Antes, era como se o meu problema afetasse diretamente outras pessoas ... agora, meus problemas só afetam a mim, e isso me conforta. Eu tenho um medo terrível de tomar decisões e afetar meu futuro, mas tenho uma fobia maior ainda de prejudicar a vida de outras pessoas por causa dos meus erros, ou mesmo quando o problema de alguém está, de alguma maneira, dependendo de mim para ser resolvido. Mas agora, posso respirar um pouco mais aliviado. As coisas ainda podem dar errado, muito errado, mas o único que vai sofrer com isso sou eu, e eu sei que posso superar ...
Mas, voltando ao assunto da chuva. O que vocês lembram quando chove ?
Eu lembro de quando era criança, de ficar no terraço da minha casa, lendo um livro (um gibi, porque naquela época eu não lia muitos livros) ou então colocava um cd e ficava deitado no sofá, ouvindo a música, aproveitando o frio da chuva e sonhando com meu futuro ... Eu sempre adorei dias chuvosos assim, principalmente como hoje. Faz tempo que vi/ouvi tantos trovões e raios (agora mesmo, mais um). Aqui em João Pessoa eu nem me lembro da última vez.
É bom ... e acho que é uma das poucas coisas que nunca vai mudar em mim. Vou chegar aos 100 anos (espero) e vou continuar adorando o som da chuva, o barulho do mar, o vento da orla.
São momentos assim que me fazem ser feliz, de uma maneira meio louca, eu sei, mas é como se isso fosse exatamente aquilo que eu sou, ou como se aquela chuva estivesse ali pra mim, pra conversar comigo, pra me deixar tranquilo e relaxado.
Poucas coisas arrancam de mim um sorriso tão verdadeiro. O mar, a chuva, o vento ...
Mas é em cada uma dessas coisas que eu sei que estou lá ... ainda forte, ainda determinado, ainda pronto para enfrentar qualquer obstáculo que esteja pela frente.
É um mensageiro silencioso, que veio só pra dizer que eu ainda posso ir mais e mais longe.
E assim, chegar onde eu quero ...
Tinha esquecido disso ... mas a chuva veio e me lembrou ... eu ainda estou aqui.
( Ouvindo a chuva )
o/
Acho que é comum todos ficarem meio pensativos e sonhadores nos dias de chuva, não é ? É, eu mesmo estou muito pensativo e sonhador neste exato momento.
Enquanto escrevo, aliás, posso ouvir o som das gotas batendo na minha janela ... e é bom ! ^^
Já não estou mais com tanto medo e tão preocupado como antes. Acho até que comecei a acreditar com mais vontade nos pequenos milagres da vida, ou talvez em uma parte deles.
Passei uma semana muito ruim, cheia de medos e problemas, até que resolvi tomar as primeiras decisões que estavam pendentes desde muito tempo. Não adianta tentar dar detalhes de tudo que se passou, mas foram importantes fatos que precisavam ser resolvidos para que eu pudesse me dedicar melhor aos outros aspectos dessa minha nova "fase de vida". Agora, tudo ainda é difícil, mas parece um difícil mais suportável. Antes, era como se o meu problema afetasse diretamente outras pessoas ... agora, meus problemas só afetam a mim, e isso me conforta. Eu tenho um medo terrível de tomar decisões e afetar meu futuro, mas tenho uma fobia maior ainda de prejudicar a vida de outras pessoas por causa dos meus erros, ou mesmo quando o problema de alguém está, de alguma maneira, dependendo de mim para ser resolvido. Mas agora, posso respirar um pouco mais aliviado. As coisas ainda podem dar errado, muito errado, mas o único que vai sofrer com isso sou eu, e eu sei que posso superar ...
Mas, voltando ao assunto da chuva. O que vocês lembram quando chove ?
Eu lembro de quando era criança, de ficar no terraço da minha casa, lendo um livro (um gibi, porque naquela época eu não lia muitos livros) ou então colocava um cd e ficava deitado no sofá, ouvindo a música, aproveitando o frio da chuva e sonhando com meu futuro ... Eu sempre adorei dias chuvosos assim, principalmente como hoje. Faz tempo que vi/ouvi tantos trovões e raios (agora mesmo, mais um). Aqui em João Pessoa eu nem me lembro da última vez.
É bom ... e acho que é uma das poucas coisas que nunca vai mudar em mim. Vou chegar aos 100 anos (espero) e vou continuar adorando o som da chuva, o barulho do mar, o vento da orla.
São momentos assim que me fazem ser feliz, de uma maneira meio louca, eu sei, mas é como se isso fosse exatamente aquilo que eu sou, ou como se aquela chuva estivesse ali pra mim, pra conversar comigo, pra me deixar tranquilo e relaxado.
Poucas coisas arrancam de mim um sorriso tão verdadeiro. O mar, a chuva, o vento ...
Mas é em cada uma dessas coisas que eu sei que estou lá ... ainda forte, ainda determinado, ainda pronto para enfrentar qualquer obstáculo que esteja pela frente.
É um mensageiro silencioso, que veio só pra dizer que eu ainda posso ir mais e mais longe.
E assim, chegar onde eu quero ...
Tinha esquecido disso ... mas a chuva veio e me lembrou ... eu ainda estou aqui.
( Ouvindo a chuva )
o/
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Mais um dia ... menos um dia ...
Dizem que é no final que começamos a lembrar, inevitavelmente, de como foi o começo. Bem, ultimamente tenho lembrado muito dos meus "começos", principalmente do meu começo aqui em João Pessoa. Eu sei que cada nova postagem desse blog está se tornando mais melancólica do que a anterior, mas é inevitável. É assim que tenho me sentido nos últimos dias.
Tenho muitos problemas. Tenho pouco tempo para resolver meus problemas.
E enquando fico tentando "pensar não pensando" nos meus problemas, vou me lembrando de cada coisa que estou deixando, esquecendo, alguns até perdendo. Não, não é agora que eu quero pensar "mas eu também vou ganhar muitas outras coisas". Agora eu quero simplesmente sorrir lembrando dos momentos engraçados que vivi aqui.
Quem diria que eu seria tão feliz aqui ? Eu não diria!
Lembro que quando soube que ia me mudar (no começo de 2003 - início do ensino médio - 15 anos), adorei a idéia. Sou Pernambucano, e como qualquer estudante do interior, sonhava em me mudar pra Recife pra estudar, ir pra universidade, criar raízes e depois voltar, eventualmente, para vez a família e uns amigos que ainda lembrarem do meu nome. Desde aquela hora, tudo já era diferente do que eu imaginava.
Primeiro, a notícia de que eu não iria pra Recife, e sim para outra capital, João Pessoa. Eu já conhecia a cidade, mas não tanto quanto Recife (onde já morei alguns anos), sem contar com o fato de que, maior parte da minha família estava em Recife. Primos, tios e tias, muitos amigos que também estavam mudando-se para a capital do estado. A explicação : com o PSS (novidade quase salvadora numa cidade do interior) eu teria mais chances de entrar no ensino superior, num curso que eu queria e, obviamente, numa universidade pública. No começo eu achei meio chato. Queria ir para onde meus amigos iam ! Tinha medo de não ter amigos, de não conhecer ninguém ( eu era muito tímido e, notadamente, depressivo ).
Lembro que, quando eu estava preparando as coisas para a mudança (eu, minha mãe e minha irmã) eu pensava "bem, qualquer coisa é melhor que essa maldita cidade". Ledo engano. Em poucos meses eu estaria chorando por NÃO estar naquela maldita cidade. Sentia falta das pouquíssimas coisas que eu amava e até de algumas que eu odiava. E aqui ... nossa, como eu odiava tudo aqui ! Tudo era ruim demais, difícil demais, triste demais, sozinho demais. Foi uma época difícil, considerando minha idade ( 15 anos ), minha total imaturidade e timidez, meus problemas com minha mãe e minha irmã.
Eu também lembro perfeitamente (e disso sim, lembro como se fosse ontem) quando eu estava no final das minhas primeiras férias (em julho de 2003), lá no interior, e dizia para as minhas primas que "eu sou a única pessoa que conheceu o inferno, saiu e teve que voltar". Todos viam minha agonia em voltar e tentavam me consolar, me insentivar, me motivar, e eu só pensava "porque tudo não pode ser mais fácil ?".
Provavelmente essa foi a última vez que eu tive problemas com João Pessoa. Claro que, ainda na adolescencia, tive muitos problemas e muitas raivas, mas nada que realmente tivesse motivos. Depois desse ano, eu já nem queria tanto ir para o interior ! Interessante que, enquanto eu mesmo lembro disso, fico pensando como eu consegui fazer a cidade passar de "inferno" a "paraíso" em apenas 1 ano ? Mas foi exatamente assim. Já no carnaval do ano seguinte (2004) eu passei aqui, em um retiro de carnaval. O fato de me aproximar tanto da igreja me ajudou muito na adaptação, principalmente por causa das amizades e das conversas nas horas tristes (e atrapalhou muito quando eu deveria ter estudado e preferia ir para a igreja, por achar que seria padre e a igreja era a minha verdadeira escola). Também lembro que, nas férias, fiquei muitíssimo agoniado, novamente no interior. Queria muito voltar, sentir o cheiro da cidade, andar pelas ruas do bairro (andar sem rumo sempre foi meu passatempo favorito), falar com os meus amigos ... Também acabo de lembrar de um detalhe muito interessante. Esse foi um ano bem "caracteristicamente adolescente" (2004). Hoje, quando eu lembro, tenho certeza que foi um dos melhores anos aqui. Fazia o segundo ano do ensino médio no GEO. Nem pensava tanto no vestibular (praticamente nada, na verdade) nem tinha problemas com a cidade. Meu maior problema, de fato, era meu nível escolar. Sempre fui um otimo aluno (e sempre achei importantíssimo que assim fosse), até mesmo no ano anterior, diante de tantos problemas. Naquele ano, porém, minhas notas estavam caindo e isso me incomodava profundamente - e por causa disso eu dizia todos os minutos e segundos que aquele era, sem dúvidas, o pior ano da minha vida - e disse isso até aprender que não existe nada 100% bom ou 100% ruim.
Na verdade, foi aí que começou um problema que deixou eternas marcas, a "baixa estima". Depois daquele ano, nunca mais me senti tão confiante como era antes (hoje estou bem melhor, claro, mas alguns anos atrás eu me achava completamente acéfalo, analfabeto, ignorante, desinformado e indigno de qualquer atenção ou elogio referentes a minha inteligência - não, isso não é drama. Claro que era um caso isolado. Nunca me achei feio ou antipático. No geral, esse era meu único grande defeito imutável).
Enfim. O tempo passou e eu amei a cidade cada dia mais. Eu ia cada vez menos para o interior. Arrumava desculpas, voltava mais cedo, ia mais tarde, passava menos tempo. Tudo era perfeito. Tinha amigos inseparáveis, tinha a namorada que amava e morava numa cidade linda, tranquila e acolhedora. Os problemas não pareciam mais tão difíceis como antes - e de fato, nunca mais foram - e tudo precisava apenas de paciência para ser solucionado.
Minhas maiores alegrias e tristesas foram aqui. Meus melhores amigos moram aqui. As pessoas que eu mais admirei e segui estão aqui. Mas eu, eu não estarei mais aqui em alguns meses. Paro e penso "será que vai ser tão difícil como foi ? Será que depois de alguns anos eu não vou mais sair de lá ? Será que farei novos amigos inseparáveis e encontrarei novas pessoas admiráveis ? Será que vou rir mais alto e chorar mais forte ? Será, meu Deus, que eu vou conseguir ?". Sinceramente, acho que sim. Acho que se outros conseguem (e se até mesmo eu já consegui uma vez), nada me impede de realizar esse magnífico feito - a confortável adaptação ao desconhecido.
Amanhã será outro dia, e será menos um dia aqui. Tento olhar a praia, o mar, as pessoas ... sempre com olhos mais atentos, mais apurados. Daqui a pouco verei cada coisa aqui com menos frequência. No começo, provavelmente virei aqui 1 ou 2 vezes por mês, mas no fim, sei que virei aqui 1 ou 2 vezes por ano ... e o pior, eu vou achar que é o bastante ! Alguns amigos continuarão amigos, outros passarão por mim e não falarão nem "oi".
Eu aguento isso. Aguento porque sempre soube que aconteceria. Apesar de querer morrer aqui - e quero ainda voltar e morar aqui até o final da minha vida - sempre soube que teria que sair por uns tempos, nem que fosse para fazer mestrado ou doutorado. Aguento a dor, a saudade, as dificuldades, os problemas financeiros. Juro, aguento tudo com a cabeça levantada, confianto em mim - muito mais do que confiaria naquele ano pior/melhor - e sei que sairei vitorioso, por mais tempo que demore.
Meu medo está nas perguntas que me faço e que não tem resposta. Está na necessidade de prever o futuro e saber como vão ser as coisas. E principalmente, em imaginar a hora do "adeus", quando eu estarei dentro da carro da mudança, atravessando BR e me despedindo mentalmente daquela que foi e sempre será a cidade que me acolheu tão bem e que me fez tão feliz.
Não sei quem posso agradecer. Aos holandeses ? Aos portugueses ? Aos índios ? Ao próprio João Pessoa ? A Deus, provavelmente. Mas se alguém puder responder em seu nome - com uma procuração assinada, talvez - eu preciso mesmo dizer : Eu serei profundamente grato por tudo. Muito mais do que se possa imaginar. Fui/sou muito feliz aqui.
( E já que estou falando com Deus, tenho que aproveitar e pedir pra que em Campina Grande tudo seja, no mínimo, tão bom quanto pôde ser aqui. )
Espero que na minha próxima postagem eu possa falar de coisas mais alegres, como o emprego que estou precisando tanto ! Tô aceitando qualquer coisa, nessa altura do desespero. Até lavar o chão tá valendo, contanto que eu consiga o dinheiro pra me mudar e alugar um novo apartamento lá em Campina ( e estou pensando seriamente em me ajoelhar diante de Zarinha. Talvez agora que eu vou começar Letras* ela me contrate ). Isso sim seria uma boa notícia ! Meu tempo pra conseguir algum dinheiro está ficando cada vez menor ...
( Ao som de " cálice - Chico Buarque ")
*Letras, sim ! Mas é só por 1 período. Como todos sabem, eu sempre adorei ler e escrever, e cursar letras parece algo tão incrível e maravilhoso que resolvi ter essa sensação. Não se preocupem, não vou deixar Engenharia Elétrica. É só um período de " Letras - linguas clássicas " na UFPB. Começando em abril e terminando em agosto, imagino. Nada demais. Só pra ter o gostinho de cursar mesmo ( se minha mãe sonhar com isso um dia, eu posso me considerar deserdado e "desamado" para todo o sempre. rs. A maior raiva da vida dela é ser formada em letras - inglês ! hehehe).
xD
P.s.: Me perdoem pelos erros e pela postagem tão longa. Tinha muita coisa para escrever e como faz tempo que postei, achei que era necessário. Depois leio novamente e faço algumas correções, porque agora já é beeeem tarde.
Abraços já saudosos !!!
Tenho muitos problemas. Tenho pouco tempo para resolver meus problemas.
E enquando fico tentando "pensar não pensando" nos meus problemas, vou me lembrando de cada coisa que estou deixando, esquecendo, alguns até perdendo. Não, não é agora que eu quero pensar "mas eu também vou ganhar muitas outras coisas". Agora eu quero simplesmente sorrir lembrando dos momentos engraçados que vivi aqui.
Quem diria que eu seria tão feliz aqui ? Eu não diria!
Lembro que quando soube que ia me mudar (no começo de 2003 - início do ensino médio - 15 anos), adorei a idéia. Sou Pernambucano, e como qualquer estudante do interior, sonhava em me mudar pra Recife pra estudar, ir pra universidade, criar raízes e depois voltar, eventualmente, para vez a família e uns amigos que ainda lembrarem do meu nome. Desde aquela hora, tudo já era diferente do que eu imaginava.
Primeiro, a notícia de que eu não iria pra Recife, e sim para outra capital, João Pessoa. Eu já conhecia a cidade, mas não tanto quanto Recife (onde já morei alguns anos), sem contar com o fato de que, maior parte da minha família estava em Recife. Primos, tios e tias, muitos amigos que também estavam mudando-se para a capital do estado. A explicação : com o PSS (novidade quase salvadora numa cidade do interior) eu teria mais chances de entrar no ensino superior, num curso que eu queria e, obviamente, numa universidade pública. No começo eu achei meio chato. Queria ir para onde meus amigos iam ! Tinha medo de não ter amigos, de não conhecer ninguém ( eu era muito tímido e, notadamente, depressivo ).
Lembro que, quando eu estava preparando as coisas para a mudança (eu, minha mãe e minha irmã) eu pensava "bem, qualquer coisa é melhor que essa maldita cidade". Ledo engano. Em poucos meses eu estaria chorando por NÃO estar naquela maldita cidade. Sentia falta das pouquíssimas coisas que eu amava e até de algumas que eu odiava. E aqui ... nossa, como eu odiava tudo aqui ! Tudo era ruim demais, difícil demais, triste demais, sozinho demais. Foi uma época difícil, considerando minha idade ( 15 anos ), minha total imaturidade e timidez, meus problemas com minha mãe e minha irmã.
Eu também lembro perfeitamente (e disso sim, lembro como se fosse ontem) quando eu estava no final das minhas primeiras férias (em julho de 2003), lá no interior, e dizia para as minhas primas que "eu sou a única pessoa que conheceu o inferno, saiu e teve que voltar". Todos viam minha agonia em voltar e tentavam me consolar, me insentivar, me motivar, e eu só pensava "porque tudo não pode ser mais fácil ?".
Provavelmente essa foi a última vez que eu tive problemas com João Pessoa. Claro que, ainda na adolescencia, tive muitos problemas e muitas raivas, mas nada que realmente tivesse motivos. Depois desse ano, eu já nem queria tanto ir para o interior ! Interessante que, enquanto eu mesmo lembro disso, fico pensando como eu consegui fazer a cidade passar de "inferno" a "paraíso" em apenas 1 ano ? Mas foi exatamente assim. Já no carnaval do ano seguinte (2004) eu passei aqui, em um retiro de carnaval. O fato de me aproximar tanto da igreja me ajudou muito na adaptação, principalmente por causa das amizades e das conversas nas horas tristes (e atrapalhou muito quando eu deveria ter estudado e preferia ir para a igreja, por achar que seria padre e a igreja era a minha verdadeira escola). Também lembro que, nas férias, fiquei muitíssimo agoniado, novamente no interior. Queria muito voltar, sentir o cheiro da cidade, andar pelas ruas do bairro (andar sem rumo sempre foi meu passatempo favorito), falar com os meus amigos ... Também acabo de lembrar de um detalhe muito interessante. Esse foi um ano bem "caracteristicamente adolescente" (2004). Hoje, quando eu lembro, tenho certeza que foi um dos melhores anos aqui. Fazia o segundo ano do ensino médio no GEO. Nem pensava tanto no vestibular (praticamente nada, na verdade) nem tinha problemas com a cidade. Meu maior problema, de fato, era meu nível escolar. Sempre fui um otimo aluno (e sempre achei importantíssimo que assim fosse), até mesmo no ano anterior, diante de tantos problemas. Naquele ano, porém, minhas notas estavam caindo e isso me incomodava profundamente - e por causa disso eu dizia todos os minutos e segundos que aquele era, sem dúvidas, o pior ano da minha vida - e disse isso até aprender que não existe nada 100% bom ou 100% ruim.
Na verdade, foi aí que começou um problema que deixou eternas marcas, a "baixa estima". Depois daquele ano, nunca mais me senti tão confiante como era antes (hoje estou bem melhor, claro, mas alguns anos atrás eu me achava completamente acéfalo, analfabeto, ignorante, desinformado e indigno de qualquer atenção ou elogio referentes a minha inteligência - não, isso não é drama. Claro que era um caso isolado. Nunca me achei feio ou antipático. No geral, esse era meu único grande defeito imutável).
Enfim. O tempo passou e eu amei a cidade cada dia mais. Eu ia cada vez menos para o interior. Arrumava desculpas, voltava mais cedo, ia mais tarde, passava menos tempo. Tudo era perfeito. Tinha amigos inseparáveis, tinha a namorada que amava e morava numa cidade linda, tranquila e acolhedora. Os problemas não pareciam mais tão difíceis como antes - e de fato, nunca mais foram - e tudo precisava apenas de paciência para ser solucionado.
Minhas maiores alegrias e tristesas foram aqui. Meus melhores amigos moram aqui. As pessoas que eu mais admirei e segui estão aqui. Mas eu, eu não estarei mais aqui em alguns meses. Paro e penso "será que vai ser tão difícil como foi ? Será que depois de alguns anos eu não vou mais sair de lá ? Será que farei novos amigos inseparáveis e encontrarei novas pessoas admiráveis ? Será que vou rir mais alto e chorar mais forte ? Será, meu Deus, que eu vou conseguir ?". Sinceramente, acho que sim. Acho que se outros conseguem (e se até mesmo eu já consegui uma vez), nada me impede de realizar esse magnífico feito - a confortável adaptação ao desconhecido.
Amanhã será outro dia, e será menos um dia aqui. Tento olhar a praia, o mar, as pessoas ... sempre com olhos mais atentos, mais apurados. Daqui a pouco verei cada coisa aqui com menos frequência. No começo, provavelmente virei aqui 1 ou 2 vezes por mês, mas no fim, sei que virei aqui 1 ou 2 vezes por ano ... e o pior, eu vou achar que é o bastante ! Alguns amigos continuarão amigos, outros passarão por mim e não falarão nem "oi".
Eu aguento isso. Aguento porque sempre soube que aconteceria. Apesar de querer morrer aqui - e quero ainda voltar e morar aqui até o final da minha vida - sempre soube que teria que sair por uns tempos, nem que fosse para fazer mestrado ou doutorado. Aguento a dor, a saudade, as dificuldades, os problemas financeiros. Juro, aguento tudo com a cabeça levantada, confianto em mim - muito mais do que confiaria naquele ano pior/melhor - e sei que sairei vitorioso, por mais tempo que demore.
Meu medo está nas perguntas que me faço e que não tem resposta. Está na necessidade de prever o futuro e saber como vão ser as coisas. E principalmente, em imaginar a hora do "adeus", quando eu estarei dentro da carro da mudança, atravessando BR e me despedindo mentalmente daquela que foi e sempre será a cidade que me acolheu tão bem e que me fez tão feliz.
Não sei quem posso agradecer. Aos holandeses ? Aos portugueses ? Aos índios ? Ao próprio João Pessoa ? A Deus, provavelmente. Mas se alguém puder responder em seu nome - com uma procuração assinada, talvez - eu preciso mesmo dizer : Eu serei profundamente grato por tudo. Muito mais do que se possa imaginar. Fui/sou muito feliz aqui.
( E já que estou falando com Deus, tenho que aproveitar e pedir pra que em Campina Grande tudo seja, no mínimo, tão bom quanto pôde ser aqui. )
Espero que na minha próxima postagem eu possa falar de coisas mais alegres, como o emprego que estou precisando tanto ! Tô aceitando qualquer coisa, nessa altura do desespero. Até lavar o chão tá valendo, contanto que eu consiga o dinheiro pra me mudar e alugar um novo apartamento lá em Campina ( e estou pensando seriamente em me ajoelhar diante de Zarinha. Talvez agora que eu vou começar Letras* ela me contrate ). Isso sim seria uma boa notícia ! Meu tempo pra conseguir algum dinheiro está ficando cada vez menor ...
( Ao som de " cálice - Chico Buarque ")
*Letras, sim ! Mas é só por 1 período. Como todos sabem, eu sempre adorei ler e escrever, e cursar letras parece algo tão incrível e maravilhoso que resolvi ter essa sensação. Não se preocupem, não vou deixar Engenharia Elétrica. É só um período de " Letras - linguas clássicas " na UFPB. Começando em abril e terminando em agosto, imagino. Nada demais. Só pra ter o gostinho de cursar mesmo ( se minha mãe sonhar com isso um dia, eu posso me considerar deserdado e "desamado" para todo o sempre. rs. A maior raiva da vida dela é ser formada em letras - inglês ! hehehe).
xD
P.s.: Me perdoem pelos erros e pela postagem tão longa. Tinha muita coisa para escrever e como faz tempo que postei, achei que era necessário. Depois leio novamente e faço algumas correções, porque agora já é beeeem tarde.
Abraços já saudosos !!!
Assinar:
Postagens (Atom)

