Interessante como lembramos de coisas tão antigas simplesmente do nada, né mesmo ? Eu estava reparando nisso, um dia desses. Eu digo isso porque sempre acho que tenho uma memória muito ruim (acho não, eu tenho mesmo) mas quando menos espero, um pequeno detalhe me faz pensar muito (sou um filósofo) ou lembrar de coisas que eu pensei já ter esquecido.
Acho que eu vou ser um velho muito chato, sabe ? Daqueles que vive contando suas histórias pra todo mundo que passa ! Tenho que ter netos com paciência de Jó ...
Contudo, terça-feira eu estava indo ao shop sul quando passei por um apartamento todo decorado com bandeirinhas de são joão. Pode parecer só mais um detalhe entre tantos que vejo diariamente, mas quando eu pensei "quem faria uma coisa dessa na sua varanda?", imediatamente lembrei de quando era criança e infernizava minha mãe pra ela colocar essas malditas bandeirinhas no terraço lá de casa (e foi a partir das bandeirinhas que tirei todo o meu devaneio).
Quem leu minha postagem sobre dia das mães, viu quando eu falei que ela odeia essas coisas de datas comemorativas e enfeites em casa. Pois bem, todo ano, no são joão, eu fazia questão das bandeirinhas no terraço lá da minha casa. Eu comprava mil folhas de papel de seda, barbante, cola, e ia recortar e colar zilhões de malditas bandeirinhas, amarrar barbante por todo o terraço (que era muito grande, por sinal) e achava aquilo muito legal. E isso porque ela não aceitava fazer a fogueira nem sob tortura, porque senão nós seríamos a casa exemplo da rua !rs
Vocês podem pensar "sim, e daí ?". Realmente, não é uma lembrança muito informativa, e nem é pra ser. É só a saudade que bateu, assim, do nada. Era engraçado fazer raiva pra minha mãe pendurar as bandeirinhas ... e o mais engraçado ainda é que hoje eu odeio tanto aquelas coisas quanto ela. Eu ainda não tenho problemas com o natal, mas fora isso, não faço mais nenhuma questão por datas comemorativas e principalmente pelos enfeites (a não ser que seja só pela brincadeira mesmo, e não uma "obrigação" de preparar tudo na data certa).
Ainda pensando sobre minha mãe e como eu fiquei igual a ela depois de tanto tempo, fui começando a lembrar da minha família e das pequenas coisas que vivi com ela. Adoro essas coisas em família (e por sinal, minha mãe também gosta. rs). Não apenas a família base, do pai, mãe e filhos ... mas o conjunto completo. Gosto de pessoas unidas, conversando, rindo, brincando. Gosto dessa intimidade que as famílias tem, sabe? Aquela sensação de brincar sem ter medo, de rir dos primos mais novos (que por sua vez rirão dos mais novos ainda), os sorrisos, os momentos preciosos juntos. Lembro agora, por exemplo, quando íamos pra casa da minha avó nos domingos de tarde. Teve uma época que quase todos os domingos a família se encontrava lá, sem contar nas datas importantes, claro ! Dia das mães, por exemplo, todos se juntavam na casa da minha avó. Sempre tinha uma briga, claro, mas a maior parte do tempo era rir e brincar. Baçançar na rede, brigar pela rede, derrubar alguém da rede, rir de quem caiu da rede (que geralmente era eu).
Essas lembranças são alegres e, ao mesmo tempo, tristes.
Infelizmente, com o passar do tempo, minha família foi ficando mais distânte. Aquilo que eu sempre achei bonito, acabou deixando de existir aos poucos. Talvez eu não tenha acompanhado tão bem essa mudança por ter me mudado cedo pra João Pessoa, mas depois de um determinado tempo, ficou ainda mais difícil de juntar todos numa mesma casa. A última "reunião" em que eu estive presente foi no São João de 2007, se não me engano. A maioria estava lá, na casa de um dos meus tios, dançando forró (ele chamou um grupo pé-de-serra pra tocar), comendo carne, bebendo (pois é, as crianças que antes brincavam de bola hoje estão bebendo e dançando). Foi um dia muito muito divertido ! Quero lembrar sempre desse dia ... até dançamos quadrilha ! Colocamos os tios pra dançar e tudo. Lembro que dancei com minha avó e todas as minhas tias, inclusive. hehehe.
Depois disso, a última vez que todos se viram foi no ano passado, depois que minha avó morreu. Tinham que resolver alguns problemas sobre herança e tudo, mas acabaram brigando por lá (essas coisas de novela, que ninguém acredita que acontece na "vida real"). Não sei como vai ser esse ano, mas acho difícil acreditar que vamos juntar a família novamente por algum tempo.
É isso que me lembra o São João ... família. Na maioria das vezes que nos reunimos, era por volta dessa época. É meio que ao acaso, mas é quando acontece. Pode parecer meio óbviu, por ser uma época de férias e tempo mais livre, mas não é o caso. Geralmente as famílias se reunem no natal, ano novo, mês de janeiro, mas no nosso caso é o contrário. Nessas épocas, quase sempre estamos separados. Talvez seja também porque, no interior, o São João é mais voltado pra brincadeiras e diversão, enquanto o final do ano lembra mais reflexão, nascimento de cristo, vida nova começando ... coisas assim.
Graças a esse tipo de recordação, ter uma família grande sempre foi uma certeza pra mim. Quero construir uma família assim, grande, unida, forte. Quero poder repetir esses momentos com meus filhos e netos, e ter recordações bonitas da minha família, como eu sei que minha avó teve. Quero que um dia, antes de morrer, eu possa olhar para a família que eu ajudei a construir, sorrir e pensar como fui feliz em viver como sempre sonhei, ao lado das pessoas que mais amo.
(Ouvindo "Um barzinho, um violão -Hotel California")
quinta-feira, 21 de maio de 2009
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